Tem dengue na área rural? Saiba como evitar a proliferação do mosquito

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Em 2024, houve uma explosão no número de casos da dengue no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que até o dia 16 de fevereiro houve registro de 555.583 casos no País. O volume é quatro vezes maior que o registrado em igual período de 2023.

Os estados com maior número de casos da doença são: Minas Gerais, com 192.258 registros, São Paulo, com 90.408 registros, Distrito Federal, com 67.769, Rio de Janeiro, com 41.435, Goiás, com 34.400, Espírito Santo, com 17.227 e Santa Catarina, com 11.352 casos.

Não existe melhor forma de prevenção da doença do que o controle do mosquito transmissor, Aedes aegypti, presente também na zona rural, especialmente em áreas muito próximas às cidades.

Ciclo de reprodução

A fêmea Aedes aegypti deposita seus ovos em recipientes como latas e garrafas vazias, pneus, calhas, caixas d’água descobertas, pratos sob vasos de plantas ou qualquer outro objeto que possa armazenar água da chuva. O mosquito pode procurar ainda criadouro naturais, como bromélias, bambus e buracos em árvores.

Em média, cada mosquito vive em torno de 30 dias e a fêmea chega a colocar entre 150 e 200 ovos. Se forem postos por uma fêmea contaminada pelo vírus da dengue, ao completarem seu ciclo evolutivo, transmitirão a doença.

O ciclo de reprodução do Aedes pode variar de 5 a 10 dias, passando pela fase larvária até chegar à forma adulta. Febre, dores nas articulações, erupções ou irritação na pele são alguns dos sintomas mais comuns da dengue. Em caso de agravamento dos sintomas, é preciso procurar atendimento médico.

Dengue nas áreas rurais

Embora o raio de voo da fêmea do mosquito raramente ultrapasse os 200 metros em regiões com aglomeração de pessoas, nas áreas sem barreiras pode chegar a um quilômetro. Os mosquitos também podem ser transportados por diversos meios com ajuda involuntária do homem.

Há quatro tipos de vírus da dengue: Den-1, Den-2, Den-3 e a Den-4. Eles pertencem à família Flaviridae e são da mesma família do vírus que causa a febre amarela.

Na natureza, os ovos do Aedes aegypti podem sobreviver até 400 dias fora d’água. A engenheira ambiental Jane Terezinha Leal, coordenadora estadual de Saneamento Ambiental da Emater-MG, ressalta, portanto, a necessidade de o produtor rural identificar possíveis criadouros para evitar a proliferação do mosquito.

Limpeza e prevenção

A técnica destaca alguns pontos principais a serem observados. “Primeiro é em relação ao lixo da propriedade, qualquer resíduo que possa reservar água de chuva ou que armazene água parada, deve ser acondicionado em sacos. O lixo deve ser fechado e colocado num local com tampa, ou seja, nunca deve ficar aberto”, explica.

Já as plantas com vasinhos ou pratinhos devem ser preenchidas com areia. O ideal é a limpeza dos pratinhos com bucha, sabão e um pouco de água sanitária uma vez por semana. É importante também verificar as calhas e lajes das casas, porque a água pode ficar acumulada nesses locais.

Esgoto a céu aberto

Outra preocupação que o produtor deve ter é com o destino do esgoto doméstico rural. “Infelizmente ainda hoje mais de 70% das propriedades rurais têm uma fossa rudimentar ou há ainda aqueles que lançam o esgoto direto em córregos e no solo”, diz.

Segundo ela, a água suja que fica escorrendo atrai vetores de doenças como mosquitos, pernilongos e ratos, pondo em risco a saúde das pessoas. “A destinação inadequada desse esgoto é uma fonte de contaminação da água e do solo, ou seja, os danos sociais e ambientais são enormes”.

A técnica recomenda como solução a implantação de tecnologias de saneamento ambiental de baixo custo como a fossa de evapotranspiração (Tevap). As informações sobre essa solução se encontram na cartilha da Emater-MG, disponível para download gratuito no site da empresa, na parte “Livraria Virtual”.

Confira a seguir 10 recomendações da Embrapa para evitar a proliferação do Aedes aegypti nas áreas rurais:

  1. Inspecionar a propriedade rural e identificar locais de risco para proliferação do mosquito. Monitorar possíveis criadouros semanalmente;
  2. Se houver plantas ornamentais (ex: bromélias) que acumulam água, inspecionar e aplicar larvicida se houver água parada
  3. Descartar as embalagens de insumos em locais apropriados, cobertos e secos;
  4. Inspecionar os pesqueiros desativados e barragens;
  5. Checar se cisternas, poços ou tambores para água estão tampados;
  6. Inspecionar calhas e telhados;
  7. Bebedouros de animais também devem ser checados, principalmente, se pouco utilizados. Se encontrar larvas ou pupas nestes locais, os bebedouros devem ser escovados e a água trocada, no máximo a cada cinco dias;
  8. Evitar deixar baldes, carrinhos de mão e outros utensílios que acumulam água ao relento;
  9. Inspecionar todas as áreas da propriedade, inclusive reservas legais, e retirar dos locais descobertos pneus velhos, vasilhames, garrafas, latas ou qualquer outro objeto descartado que possa acumular água;
  10. Tapar com barro ou cimento cavidades em cercas de pedra, muros, pedras, árvores e outros devem ser tampadas para evitar o acumulo de água.

Fonte – Globo Rural

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