Alunos voltam a colégio reconstruído oito meses após tornado que devastou 90% de cidade do Paraná

Destaques Rio Bonito do Iguaçu

Os 379 alunos do Colégio Estadual Ludovica Safraider, de Rio Bonito do Iguaçu, voltam a ter aulas na própria escola nesta segunda-feira (27), no início do segundo semestre letivo de 2026. O colégio precisou ser reconstruído devido ao tornado que devastou 90% da cidade da região central do Paraná em novembro de 2025.

Nestes oito meses em que a unidade passou interditada, os estudantes foram realocados. Eles terminaram o ano letivo de 2025 nas dependências da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), na cidade vizinha de Laranjeiras do Sul, e no primeiro semestre de 2026 todas as turmas foram atendidas na Escola Municipal Irmã Dulce, na zona rural de Rio Bonito do Iguaçu.

As obras ainda não foram 100% finalizadas, mas para que os alunos da cidade não precisassem mais se deslocar até o interior, o primeiro bloco foi preparado para receber todos os estudantes.

Ele conta com seis salas de aula e, para atender todas as turmas dentro do colégio, outras três salas foram instaladas temporariamente em espaços adaptados — duas na biblioteca e uma no laboratório de informática.

A secretaria também foi reorganizada para abrigar a sala dos professores, e as turmas voltaram a funcionar em seus respectivos períodos (manhã, tarde e noite), incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seed-PR), a cozinha e os banheiros estão aptos para uso, com adaptações.

“A organização dos espaços garante condições seguras e adequadas para o atendimento de todos os estudantes, sem prejuízo às aulas ou ao calendário escolar. O transporte escolar também foi readequado. O serviço, que durante o primeiro semestre levava os alunos até a sede provisória, retoma o trajeto regular e passa a desembarcar os estudantes diretamente no Colégio Ludovica Safraider”, diz a Seed-PR.

Obras

Os trabalhos na unidade continuam em duas frentes. O contrato para a recuperação dos Blocos 1 e 2 tem valor de R$ 3.342.070,23 e está com 44,14% de execução.

Com o primeiro bloco já liberado, os serviços avançam no Bloco 2, que acrescentará mais 2 novas salas de aula, um laboratório de ciências e mais 2 banheiros à estrutura disponível para a comunidade escolar.

Outro contrato, no valor de R$ 408.821,72 e com 27,91% de execução, contempla a elaboração dos projetos para a reconstrução da quadra coberta, destruída pelo tornado, além da ampliação das salas de aula e do laboratório e da readequação do bloco administrativo.

“Desde o primeiro momento, o nosso compromisso foi garantir que nenhum estudante tivesse o aprendizado interrompido e trabalhar para que essa comunidade pudesse retornar à própria escola o quanto antes. Ver os alunos novamente no Ludovica representa um marco importante desse trabalho e da reconstrução da escola”, afirma o secretário estadual da Educação, Roni Miranda.

Entre 2025 e 2026, o Paraná foi atingido por 13 tornados. O primeiro foi em setembro, em Santa Maria do Oeste, e em novembro, outros três, mais devastadores, que atingiram a região central do estado: um em Turvo, um em Guarapuava e um em Rio Bonito do Iguaçu — cidade que foi 90% destruída pelo fenômeno.

Em 2026, dois aconteceram em janeiro, em Mercedes (oeste) e São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), um em fevereiro, em Foz do Iguaçu (oeste), e seis em junho, nos Campos Gerais e região central do estado, nas cidades de Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul, Cruz Machado e Reserva.

Segundo especialistas, o Paraná está localizado em uma das regiões mais propensas à formação de tornados no planeta. O estado ocupa o segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás apenas das chamadas “pradarias centrais” dos Estados Unidos, que têm como característica relevo plano e áreas de baixas altitudes.

De acordo com a especialista em tornados Karin Linete Hornes, professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), um dos motivos que deixa o território paranaense vulnerável é a combinação entre massas de ar quente e de ar frio.

Fonte – G1

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